domingo, 21 de setembro de 2014

Gestão pessoal, gestão vital

Quando o modelo de vida leva a um esgotamento, é fundamental questionar se vale a pena continuar no mesmo caminho.


A virtualização do local de trabalho, a possibilidade de trabalhar em qualquer canto, não significa necessariamente que se facilitou a nossa existência. Poder trabalhar em qualquer lugar hoje significa que se pode trabalhar o tempo todo.

Há executivos que entram em estado de desespero porque não conseguem mais conviver com a família. E como o mundo da competitividade é muito acelerado e ele precisa de fato estar o tempo todo em atenção, produzindo, procurando competência e eficácia, não sobra tempo para outras coisas. Então, tem-se um nível de infelicidade muito grande.

A responsabilidade é de um mundo obsessivamente competitivo, muitas vezes também de um modo de vida de como uma família vive. Por exemplo: hoje há um alto nível de consumo nas famílias de classe média dos executivos. Esse consumo é responsabilidade do homem ou da mulher. Se ele baixar a qualidade do trabalho que faz, ele baixa o padrão salarial. Se ele diminuir esse padrão, as pessoas consomem menos. A questão central é como você faz um pacto com a sua família. É quase uma reunião familiar, em que se diz o seguinte: "Todo mundo terá de diminuir um pouco o padrão de consumo porque eu precisarei baixar a carga de trabalho. E para eu diminuir a carga de trabalho, vocês não podem me cobrar. Eu preciso de vocês para poder ter um pouco mais de vida".

Essa história de "eu não levo trabalho para casa, não misturo trabalho com vida pessoal" é uma bobagem. Nenhum de nós é uma função aqui, outra lá e outra acolá. Você é uma pessoa inteira. O que você precisa é administrar o tempo.

Para isso, talvez esteja esquecendo que é necessária uma distinção entre o que é urgente e o que é importante. A maior parte das pessoas no mundo do trabalho executivo está cuidando do urgente e não do importante. Uma parte do mundo executivo está próxima do colapso. O que temos de reorientar? Questionar o que precisamos ter, de fato, em termos de bens materiais. Até onde nós vamos? Até onde eu, executivo, vou levar minha vida ao esgotamento, à custa de quê? Se eu estou perdendo a vida, estou vendendo a minha alma. Aliás, os cristãos têm uma frase que muitos executivos deveriam pensar sempre. Diz: "De nada adianta a um homem ganhar o mundo se ele perder sua alma" (Mt 16,24).

O executivo que entra em estado de tristeza fica assim porque não consegue se enxergar saindo disso. Porque é um consumo em que mais se tem, mais se cresce. É como massa de pão: mais bate, mais cresce. Tem de ter um basta, antes que a natureza dê. E ela costuma dar. Via saúde, por exemplo, ou via loucura. É necessário reinventar o modo como estamos existindo; não é apenas o mundo do trabalho, que é só uma das dimensões.

Karl Marx, no final do século XIX, acreditava - e esse é um sonho que se perdeu - e ele imaginou que seriam cem anos depois, portanto, agora, nesses últimos trinta anos - em que o homem trabalharia quatro horas por dia. E nas outras vinte horas iria brincar, ficar com a família, pescar, ler. Já temos tecnologia suficiente para que a humanidade trabalhe quatro horas diariamente.

Quando o executivo se sente mal, não é apenas no trabalho. É o mal-estar da civilização. "Eu não quero mais viver nessa cidade. Não quero trabalhar desse jeito." Para isso, não espere o epitáfio.

Alguns executivos me perguntam: "Mas como é que eu faço? Nesse mundo que está aí, se eu bobear eu danço". Depende de com quem você está querendo dançar. Quem sabe você se junta com a sua família, com a sua cabeça, reflita e pense se o caminho que você está escolhendo pode ser um caminho em que você está só se ocupando, mas não está vivendo de fato. Ocupação não é sinônimo de vida, é sinônimo de atividade.



Referência:

CORTELLA, Mario Sergio. Qual é a tua obra?: inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética. 22 ed. - Petrópolis, RJ: Vozes, 2014. p. 57-60.




quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Gestão do tempo

"Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou. Mas tenho muito tempo. Temos todo tempo do mundo."

Legião Urbana (Música: Tempo perdido)


Hoje vivemos em um ritmo tão acelerado que é cada vez mais comum ouvir pessoas reclamar da falta de tempo para cumprir as atividades diárias. Em nossa vida profissional e pessoal este gerenciamento torna-se importante, uma vez que temos que procurar atender, da melhor forma possível, e em pouco tempo, as demandas diárias. Assim, o passo fundamental é planejar as atividades, a partir daí será possível controlar melhor as demandas e cumprir os prazos com êxito.

Profissionais que conseguem administrar seu tempo, conseguem gerenciar melhor o stress, lidar com o inesperado e, consequentemente, terão mais tempo para dedicar-se a sua vida pessoal e ao lazer. Sabemos que o tempo é limitado, independente do que aconteça o dia continuará tendo 24 horas. Administrar as mudanças e a diversidade de atividades no cotidiano requer uma melhor gestão do tempo. A gestão eficiente do tempo leva à maior produtividade e melhora a qualidade de vida. 

Uma forma de conseguir tempo é saber delegar. Quanto mais você delega mais tempo livre terá. É insano pensar que apenas você pode cumprir as tarefas na empresa ou em sua vida pessoal. Se determinada tarefa é feita repetidamente, fica fácil transferir para outra pessoa, basta descrever o processo passo a passo e treinar tal pessoa a seguir. Aliás, saber planejar e delegar são competências essenciais para qualquer profissional.

A gestão do tempo adequada requer mudanças de hábitos e atitudes. Por isso a importância de rever continuamente tudo que se tem realizado. Quando conseguimos nos organizar, isso impacta no melhor desenvolvimento de nossas atividades e por consequência em nossa produtividade. Isso nos dá liberdade de expandir projetos, investir em capacitação, crescer pessoal e profissionalmente.

Como tudo muda em uma velocidade assustadora, um dos caminhos ainda é planejar o que precisamos fazer, definir como será realizado, quando acontecerá e por quanto tempo. Ou seja, é preciso definir as prioridades e diferenciar o que é importante do que é urgente. Podemos associar como importante as coisas que precisamos fazer e que têm prazo determinado ao passo que urgente são todas as coisas cujo prazo está restrito ou já expirou. É preciso reduzir as coisas urgentes que trazem pressão e stress e eliminar as coisas que não trazem resultado e apenas desperdiçam o tempo.

Como podemos evitar o stress do urgente e atender ao que é importante, quando sabemos que o tempo é algo limitado? Simples, o foco precisa ser as atividades importantes, reduzindo as urgentes e eliminando as que desperdiçam tempo. Isso exigirá planejamento para atingir o objetivo, é preciso dar sentido as coisas importantes que não tem pressa e trará resultados.

Atualmente, administrar o tempo tornou-se algo indispensável e necessário. É o que declara Eduardo Zugaib, especialista em técnicas motivacionais em vendas e gestão do tempo.

"É importante se organizar visando o equilíbrio. A tendência é priorizar o lado profissional e deixar de lado outros componentes, como o tempo para a convivência com a família e os amigos, a vertente educacional ou formação continuada, e cuidados com a saúde."

Logo, é preciso que repensemos mais sobre nossa vida para escolher ter mais tempo. Nós é que escolhemos ter ou não ter mais vida, mais equilíbrio, realizar coisas importantes no cotidiano, que poderá trazer resultados e nos fazer melhorar a nossa qualidade de vida. 

O dia só tem 24 horas. Então, acorde mais cedo e carpe diem. Pensem nisso!





domingo, 7 de setembro de 2014

Águia ou Galinha? Vídeo motivacional





Gestão do conhecimento nas organizações

"O espírito da gestão do conhecimento pode ser resumido em cinco letras, que formam a palavra “LASER”: L de Learn (aprender), A de Apply (aplicar), S de Share (dividir), E de Enjoy (desfrutar) e R de Reflect (refletir). Em primeiro lugar, a gestão do conhecimento é um ativo estratégico, e cabe ao CEO da empresa abraçar a causa para transmitir essa cultura à toda a companhia".

Devsen Kruthiventi


O conhecimento atualmente constitui um ativo fundamental nas organizações. A tecnologia por si só não é mais suficiente se o capital humano não for bem aproveitado. As empresas que detêm o conhecimento e proporcionam ambientes para sua criação são as que apresentará vantagem competitiva. Para Devsen Kruthiventi, diretor de aprendizagem e desenvolvimento, gestão do conhecimento e comunicação interna da Tata Projects Limited, uma das companhias do maior conglomerado empresarial da Índia, a gestão do conhecimento é o que vai determinar a sobrevivência das empresas. Segundo ele, quem ignorar isso estará fora do jogo corporativo.

Muitas empresas já consideram seus funcionários operacionais e administrativos não mais como Recursos Humanos, mas sim Capital Humano. Desta forma, fica evidente que as pessoas são parte importante em uma organização, surgindo a necessidade de desenvolvê-las, liderá-las e tratá-las com o mesmo respeito que os outros capitais. As empresas antigamente subestimavam o valor dos conhecimentos de seus funcionários. Mas atualmente o conhecimento vem sendo valorizado, e tê-lo sobre controle não deixa de ser aplicado em favor da empresa, tornando-se um diferencial competitivo.

O Capital Humano é o que faz a diferença. A maioria das pessoas mudam de emprego em busca de trabalhos desafiadores, respeito profissional e a possibilidade de exercer influência na organização. Reter talentos é um desafio para muitas empresas, algumas já comprovaram que é mais econômico desenvolver um plano de retenção, do que buscar outros talentos no mercado.

Para que os funcionários adquiram mais conhecimento faz-se necessário que as empresas invistam em treinamento e capacitação. Os funcionários precisam atualizar seus conhecimentos com frequência, visando otimizar o tempo gasto com tarefas cotidianas, além de fazer com que o colaborador busque inovações e aplique em sua carreira profissional.

É necessário que as empresas identifiquem potenciais em seus funcionários e os incentivem a buscar novos conteúdos. Quando a gestão do conhecimento é desenvolvida em uma empresa, há mais eficiência na tomada de decisões, agilidade na execução de tarefas do dia a dia, além da melhoria na comunicação interna.

Nas pequenas empresas, os funcionários são mais próximos, a comunicação é facilitada e a colaboração faz parte do cotidiano. Sendo assim, o aprendizado é informal, caso algum funcionário tenha alguma dúvida sobre um procedimento, é mais fácil questionar ao colega ao lado, a resposta é dada o problema é resolvido e o trabalho continua normalmente. Porém, todo conhecimento gerado nem sempre é documentado, o que contribui para centralização da informação em apenas um indivíduo ou grupo de funcionários. O ideal seria se o aprendizado fosse compartilhado entre todos os colaboradores, especialmente se a pessoa que detêm o conhecimento deixar a organização. Portanto, ensinar é a melhor maneira de aprender.

Segundo alguns especialistas o conceito de gestão do conhecimento parte do pressuposto de que todo conhecimento existente na organização, nos processos e nos departamentos, pertencem, também, à organização. Para eles, o conhecimento é um ativo intangível e na gestão do conhecimento divide-se em tácito ou explícito. O conhecimento tácito está presente nas pessoas, é adquirido na prática, na vivência é a experiência de cada um. Ao passo que o conhecimento explícito é aquele catalogado, organizado e documentado, como por exemplo, os manuais de procedimentos de determinado setor das empresas.

A relação entre gestão do conhecimento e inteligência competitiva passa por pessoas, processos, tecnologias e informação. O conhecimento é um recurso organizacional que traz oportunidades para as organizações. Portanto, líderes e consultores de empresas o consideram como elemento crucial da vantagem competitiva e o principal ativo das organizações.


Referência:



sexta-feira, 25 de julho de 2014

O poder do elogio

Há várias razões para acreditar na importância do elogio nas organizações. Para psicólogos, o reforço positivo funciona melhor que a punição para educar. Segundo os neurologistas, a dopamina, liberada pelo cérebro nos momentos de satisfação, é um elemento químico poderoso. E conforme alguns especialistas em gestão, reconhecimento profissional é sinônimo de lucros.
 
Todo líder sabe a importância que é elogiar o trabalho de um colaborador. Quem não gosta de ser elogiado por um bom trabalho que realizou? O elogio não está associado ao processo de feedback, uma vez que as pessoas têm necessidade de ouvir que fizeram um bom trabalho, e não que apontem onde precisam melhorar.
 
Têm pessoas que pelo fato de não serem elogiadas, não conseguem parabenizar outras, pois não foram orientadas para isso. Por outro lado, existem aquelas que até foram orientadas, mas têm medo de exaltar ou de evidenciar outras pessoas que possam apresentar alguma ameaça.

O elogio é crucial para um bom clima organizacional. Elogiar, segundo especialistas, desencadeia uma série de substâncias do prazer na corrente sanguínea de quem o recebe, eleva a autoestima do indivíduo e, consequentemente, aumenta sua produtividade. Quando uma pessoa recebe um elogio pelo seu trabalho é como se os hormônios começassem agir positivamente transformando-a em uma pessoa mais segura, ousada, confiante e assertiva. O ser humano elogiado fará cada vez melhor, e dará algo a mais para que possa receber outros elogios.

Reconhecer as pessoas, elogiá-las, é uma ação de justiça. No ambiente de trabalho, é uma forma de dizer à pessoa "você está fazendo a coisa certa", servindo de exemplo aos demais colegas, e muitas vezes, gera mais lucro à empresa.

Hoje em dia ninguém elogia ou dá uma palavra de apoio e incentivo e, muito menos, diz que aquilo que fazemos está bem feito. Um elogio não só fortalece a autoestima como também aumenta a motivação. É o elogio que cativa, que faz as pessoas continuarem a executar as tarefas, um projeto, ir atrás de suas conquistas, evoluir, buscar melhorias visando uma vida melhor.

Alguns especialistas listam dez motivos para elogiar as pessoas.

  1. Todo mundo precisa, para aumentar a própria autoestima;
  2. Todo mundo quer, para sentir que é importante em um grupo;
  3. É um caminho para conseguir um comportamento desejado de outra pessoa;
  4. Aumenta a produtividade das pessoas;
  5. Ajuda a fortalecer amizades novas e antigas;
  6. Aumenta a resistência física e psicológica das pessoas contra doenças e desânimo;
  7. Melhora a postura pessoal, e protege as pessoas contra o stress e pressão da vida moderna;
  8. Incrementa a identidade profissional para o sucesso;
  9. Aumenta o valor da imagem profissional de quem recebe, e dar mais poder pessoal a quem emite;
  10. E o melhor, é de graça.

Portanto, elogie, veja o lado bom das pessoas, perceba o que elas têm e fazem de melhor e, a partir daí, desenvolva a capacidade de usar o poder do elogio.
 
 
 

domingo, 6 de julho de 2014

Autoestima e motivação no ambiente corporativo

Uma pesquisa realizada pela International Stress Management Association, apontou que 59% dos brasileiros têm baixa autoestima. Na pesquisa foram analisadas as seguintes variáveis: autoestima, autoconfiança, otimismo e, o burnout, termo usado para referir-se ao maior nível de stress que uma pessoa pode adquirir.

Segundo a psicóloga e orientadora profissional, Maria Cecília de Abreu e Silva, alguns estudos mostram que medidas educativas baseadas em agressão física, verbal e negligência estão relacionadas com a ausência de autoestima. Ambientes onde há cobranças excessivas, críticas e ameaças também interferem. A especialista adverte, ainda, que a falta de autoestima atrapalha o processo de aprendizagem, pois afeta a capacidade do profissional de avaliar com clareza as situações, dificulta a resolução de problemas, além de impedir a pessoa de expor boas ideias.

No ambiente corporativo, em geral, fala-se de gestão e desenvolvimento de pessoas, liderança, competências e habilidades. Porém, há dois fatores essenciais que influenciam nos resultados: autoestima e motivação. Mesmo que o profissional seja preparado, se não estiver motivado e com a autoestima equilibrada, não conseguirá desenvolver seu trabalho e alcançar resultados expressivos.

A autoestima compreende a relação do indivíduo consigo mesmo. Como ele se vê e acredita que os demais o veem. Ao passo que a motivação refere-se aos fatores que mantem seu entusiasmo para com o trabalho.

O profissional para manter a autoconfiança deve ter pensamentos positivos, manter relacionamentos interpessoais sadios, aprender com os erros, além disso, precisa aprender a administrar  seu tempo para que possa produzir mais e, principalmente, ter mais oportunidade para realizar suas atividades pessoais.

Os líderes, por sua vez, devem buscar potencializar a capacidade do indivíduo, sem explorar em excesso e de forma negativa o profissional. Devem, também, dar feedbacks assertivos e não assediar moralmente o colaborador. Essas atitudes interferem diretamente na autoestima dos liderados.

Apesar da motivação ser intrínseca, pode ser influenciada por objetivos e interesses pessoais, fazendo com que o profissional vá em busca de algo que possa satisfazer suas vontades e que contribua para realização dos desejos. Sendo assim, a motivação é o insight para a ação e a partir daí, o ser humano busca satisfazer suas necessidades.

Há uma afirmação que ninguém motiva ninguém, porém os gestores devem entender que a organização para funcionar necessita que os grupos sejam trabalhados com estímulo externo de motivação (reconhecimento profissional, novos desafios, remuneração, benefícios, novas metas, etc.). Os gestores, também, precisam utilizar algumas ferramentas como atividades de animação para que haja rendimento no trabalho.

Segundo a Teoria de Maslow há algumas necessidades que influenciam na motivação dos colaboradores:

  1. Autorealização;
  2. Autoestima;
  3. Sociais;
  4. Segurança;
  5. Fisiológicas.

Tais necessidades podem ser vistas na Pirâmide de Maslow, sendo as Fisiológicas, a base da pirâmide e que devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto.




O líder dentro da organização tem papel importante no trabalho de motivação da equipe. Cabe a ele identificar as necessidades de cada colaborador, no sentido de influenciar a motivação necessária para aperfeiçoar o desempenho individual e, consequentemente, de toda equipe.

Por sua vez, o funcionário motivado tem vontade de realizar os trabalhos que lhe competem, tem vontade de ter conhecimentos que aprimoram seu desempenho no trabalho, e tem compromisso com a organização.